Petróleo dispara com corte da Opep

Os preços dos contratos de petróleo dispararam após a Opep confirmar os rumores da semana passada, anunciando um corte de mais de 1 milhão de barris por dia, o equivalente a cerca de 3% da produção. A Casa Branca (EUA) reagiu de imediato acusando a organização de ser “imprudente”, pois limitar a produção gera uma escassez de oferta, causando uma valorização do petróleo que, na ponta final, gera uma inflação sistêmica. 

Opep é o vilão? 

Apesar dos efeitos negativos, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tem como objetivo garantir a estabilidade e equilíbrio dos preços do petróleo praticados pelos países membros.  Nesse caso, vamos lembrar que, apesar de parecer óbvio, um petróleo mais barato que ajuda a conter a inflação é o grande vilão do momento: a Opep não tem relação com metas desse indicador, sendo seu objetivo único a relação com o preço do petróleo, controlando o mesmo pela limitação da produção diária. 

Análise do Petróleo.

No ano passado, tivemos uma disparada no preço do petróleo após a retirada das restrições na maioria dos países. Com a volta do turismo e a rotina fora de casa, uma demanda muito grande por petróleo levou o contrato WTI à um pico de U$129,00, o barril no final de março de 2022, há um ano atras. 

Desde então, entre altos e baixos, o mesmo contrato acumulou uma desvalorização de 50%, provavelmente o que levou a Opep a limitar a oferta para valorizar o ativo. Afinal, o objetivo não é distribuir combustível barato para o mundo, mas sim manter um equilíbrio, onde os produtores também precisam garantir seus lucros. 

USOIL, 1M (TradingView)

Na segunda-feira, quando foi anunciado o corte na produção, o preço do petróleo disparou mais de 6% sendo negociado acima de U$80,00 o barril – zona de preço que segue sendo defendida hoje. 

Mas o mais importante é analisar que, desde a mínima do movimento no dia 20 de Março, onde o barril chegou a ser negociado à U$64, o WTI vem acumulando uma alta impressionante de 25%. 

USOIL, 1D (TradingView)

Apesar da positividade, um barril de petróleo acima de 80 dólares será muito corrosivo para a economia, atrapalhando a inflação. Muito provavelmente, os Estados Unidos devem anunciar o uso de suas reservas de petróleo para evitar uma disparada de preços para o consumidor, evitando também um CPI inflado pelo petróleo nos próximos períodos. Vale lembrar que o petróleo foi um dos principais responsáveis pela alta inflação no ano passado. 

A Capital Economics revisou a projeção para o preço do petróleo Brent no fim do ano de U$85 para U$90 o barril. 

Análise do Ouro

Sobe o petróleo, sobe a expectativa de inflação e não teria como ser diferente com a expectativa de mais apertos monetários pelos Bancos Centrais.  Com tantas incertezas, o investidor derrubou o dólar(DXY) em mais de 1% desde ontem, e buscou proteção no ouro, que já acumula uma alta acima de 2,5% na semana, rompendo hoje a zona de consolidação desenhada na semana passada, e trabalhando acima dos U$2.000,00 a onça no contrato XAUUSD. 

XAUUSD, 1W (TradingView)

A próxima resistência fica em U$2.070,00 – basicamente estamos a 50 dólares dela, e, novamente, precisaremos de mais eventos e notícias negativas para justificar uma força compradora para romper esse nível de preço. Enquanto não vemos nada de novo, esse fica sendo um ótimo ponto de venda. 

Diante desse início de semana cheio de especulação e dos juros futuros na mínima, o foco fica todo para o Payroll que sai na sexta-feira. Até lá podemos ter menos volatilidade no mercado, sendo ideal evitar trades longos.