Perspectivas econômicas incertas nos EUA e China com crescimento melhor que o esperado: em um cenário imprevisível, é hora de pensar em proteger seu portfólio. Veja os possíveis cenários da economia global neste artigo.
A economia está por um fio.
Prepare-se tanto para um cenário de forte queda, como um de pouso suave: analistas dos maiores bancos americanos não estão muito otimistas e as últimas previsões econômicas apontam maior probabilidade de recessão nos EUA.
Do outro lado do mundo, dando uma olhada nos relatórios anteriores, vemos uma previsão atual muito melhor que o esperado para o crescimento econômico da China. Parece que o jogo virou, né?
Em caso de uma recessão, o ideal é tirar um portfólio mais defensivo da gaveta.
As coisas podem mudar muito rapidamente, em meses, semanas e até em poucos dias, especialmente em um cenário tão incerto como o de hoje. Vamos fazer uma comparação sobre as perspectivas no início do ano e a atual, onde temos o fechamento do primeiro trimestre, e, vejamos o que mudou e quais os ajustes ideais em seus investimentos para se adequar às mudanças.
Previsões de Janeiro de 2023.
A previsão era de que a inflação em 2023 seria tranquilizada pelas distorções causadas pela pandemia e os aumentos dos preços das commodities, mas a inflação do mercado de trabalho ainda seria um grande desafio.
As taxas de juros americanas iriam aumentar até causar uma recessão, e só então seriam cortadas no segundo semestre de 2023.
Outros bancos centrais seguiriam o mesmo movimento, subindo as taxas até a recessão, e depois cortando todo o aumento até o final de 2023.
As previsões também apontavam que a China perderia as metas do crescimento econômico.
Em poucas palavras, havíamos previsto uma recessão global.
Principais diferenças nos relatórios do primeiro trimestre.
Na verdade, a maioria das previsões desde o início do ano não mudaram muito, com exceção do que estava previsto para a China, que era bastante pessimista tanto em relação aos bloqueios prolongados quanto o endividamento preocupante do setor imobiliário.
Mas foi então que o país reabriu muito antes do esperado, apresentando um relaxamento nas restrições e levando a uma recuperação mais forte e rápida do que o previsto anteriormente. E aparentemente, ainda tem muito espaço para a China se recuperar: agora as previsões apontam que o crescimento da China tem tudo para superar os 5% previstos ano passado, e que isso vai contagiar positivamente de forma moderada os mercados emergentes.
Cenário base.
EUA, Europa e China seguem resilientes apresentando um crescimento econômico que postergou a expectativa anterior de uma recessão até o final de 2023. Mas isso não muda o temor de que uma recessão ainda está de fato chegando, e que será necessária para esfriar o superaquecimento da economia.
As apostas agora são para uma recessão nos EUA iniciando no terceiro trimestre, onde a economia deve cair cerca de 2% nos três meses subsequentes. Apesar de parecer uma recessão leve, espera-se um contágio nos mercados financeiros que aparentemente ainda não estão precificando nos preços das ações.
Outros cenários.
O principal cenário alternativo é onde o FED – Federal Reserve Board, que atualmente anda pisando em ovos, conseguiria executar um pouso suave, fazendo uma desaceleração controlada do crescimento econômico, evitando uma recessão mais severa.
Também temos um possível cenário onde enfrentaríamos uma inflação persistente, onde as elevadas taxas de juros causariam uma recessão. Nesse caso, os cortes de juros seriam muito superficiais, mantendo as taxas de juros altas por mais tempo.
Outro cenário, de uma suposição mais recente, é onde o FED elevaria as taxas de juros porém tendo pouco impacto na inflação, o que forçaria um aumento maior ainda para quase 7%, levando a economia a uma recessão atrasada, porém mais profunda.
Vale lembrar que todas essas suposições são anteriores a última crise bancária. E essa crise tem tudo para prejudicar o crescimento econômico, aumentando em muito a probabilidade de uma recessão: os bancos podem ser forçados a apertar seus padrões de empréstimos para tentar fortalecer seus balanços, e assim teríamos menos dinheiro disponível para empresas se financiarem, diminuindo seu crescimento.
Ajustes no portfólio.
No cenário base, a China se mostra um investimento promissor, especialmente nos setores de consumo e serviços, deixando de lado as commodities. Nesse caso ,faz sentido ter um pouco do ETF MSCI China na carteira.
Considerando uma provável recessão nos EUA no cenário básico, também seria prudente uma postura mais defensiva nos seus investimentos. Portanto, reduzir suas posições em ações ou buscar proteção em ouro ou títulos públicos pode ajudá-lo a obter retornos mais estáveis. Em relação às ações, considere uma blindagem ainda maior, se concentrando em empresas de setores defensivos, como produtos básicos de consumo, serviços públicos ou saúde.
Já no cenário mais otimista, onde o FED executa um “pouso suave”, terámos um momento muito bom para ações, fazendo total sentido um ETF do S&P500.
Para os outros dois cenários, onde as taxas de juros ficariam mais altas e por mais tempo, definitivamente não seria um terreno fértil para ações, principalmente do setor de tecnologia e crescimento, que provavelmente desvalorizariam muito.
Porém, mesmo com a inflação agressiva e os dados persistentes do crescimento global, a recente crise bancária reverteu as expectativas de taxas de juros mais altas. Atualmente, os mercados não precificam mais aumentos de juros nos EUA este ano, e ainda contam com dois cortes nas taxas, mesmo enquanto o FED permanece com a mensagem oficial de que não haverá cortes este ano. Isso faz parecer que os dois últimos cenário apresentados sejam menos prováveis.

