O cenário financeiro global segue marcado por eventos que conectam geopolítica e economia, com tensões internacionais e decisões políticas moldando os movimentos dos mercados. Este artigo aborda os impactos recentes do conflito entre Ucrânia e Rússia, as expectativas geradas pela nova equipe econômica nos Estados Unidos, e os desdobramentos domésticos no Brasil, como o aguardado pacote fiscal. Além disso, são analisados os comportamentos de ativos-chave, como ouro e euro/dólar, destacando tendências e pontos de atenção para os investidores.
Conflitos escalonam e contaminam mercados
Nas últimas semanas, os mercados financeiros têm sido impactados por eventos geopolíticos e econômicos. Após o foco global estar voltado para os Estados Unidos devido à eleição de Donald Trump, a atenção dos investidores se voltou para a Europa na última semana, com o agravamento das tensões entre Ucrânia e Rússia. A escalada no conflito reacendeu preocupações internacionais, especialmente após o uso de mísseis de fabricação americana e britânica pelas forças ucranianas, respaldados oficialmente por esses países. Em resposta, Moscou intensificou sua retaliação, empregando pela primeira vez um míssil hipersônico e emitindo um alerta sobre o possível uso de seu arsenal nuclear caso o suporte militar ocidental à Ucrânia seja ampliado.
Esse aumento das tensões gerou uma forte aversão ao risco nos mercados globais. Commodities como petróleo e ouro registraram valorizações significativas, acompanhadas pela alta do dólar. Ainda assim, as ações em Wall Street demonstraram certa resiliência, sem refletir plenamente os impactos da crise geopolítica.
No Brasil, o mercado financeiro manteve-se estável, em um cenário de expectativa pela divulgação de um aguardado pacote fiscal, que foi adiado mais uma vez, assim como o relatório de receitas e despesas do governo. Apesar da incerteza, a Petrobras trouxe algum alívio ao anunciar uma generosa distribuição de dividendos extraordinários, gerando otimismo entre os investidores.
Os recentes desdobramentos mostram como eventos geopolíticos e econômicos estão interconectados, destacando a sensibilidade dos mercados às incertezas internacionais e às decisões locais.
Perspectivas para a semana: indicadores econômicos e decisões políticas no radar
Nos Estados Unidos, os mercados futuros em Nova York reagiram positivamente à nomeação de Scott Bessent como novo secretário do Tesouro. A escolha foi bem recebida por investidores, especialmente em uma semana encurtada pelo feriado de Ação de Graças, que fechará os mercados na quinta-feira e reduzirá o horário de negociação na Black Friday.
Indicadores econômicos importantes também atraem atenção: a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), prevista para amanhã, pode oferecer mais clareza sobre os próximos passos da política monetária. Outros dados relevantes incluem o índice PCE de outubro e a revisão do PIB do terceiro trimestre, que ajudarão a ajustar as expectativas para futuras decisões do Federal Reserve. O presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou recentemente que não há pressa em reduzir as taxas de juros, alimentando debates sobre a trajetória econômica dos EUA.
No Brasil, a agenda doméstica está movimentada. Amanhã, será divulgado o IPCA-15 de novembro, além dos números fiscais de outubro. O destaque, no entanto, é o esperado anúncio do pacote fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deve ocorrer nos próximos dias.
O contexto atual, marcado por decisões econômicas e políticas cruciais nos Estados Unidos e no Brasil, pode moldar significativamente os mercados globais e influenciar as perspectivas econômicas para 2024.
Análise do Ouro: movimento de baixa após sequência de altas
O contrato XAUUSD, que representa o preço do ouro no mercado internacional, iniciou a semana em forte baixa, interrompendo uma sequência de cinco pregões consecutivos de alta. O movimento reflete as declarações do recém-nomeado secretário do Tesouro dos Estados Unidos por Donald Trump, que sinalizou que novas tarifas serão implementadas apenas após negociações. Essa postura mais moderada reduziu especulações sobre um potencial choque inflacionário no novo governo, diminuindo a procura por ativos de proteção, como o ouro.
Apesar da queda, o impacto foi parcialmente amortecido pela desvalorização do dólar americano, que limitou a magnitude da correção no preço do ouro. No curto prazo, a linha de tendência de alta (LTA) segue como suporte relevante, sendo a mesma que conteve o último movimento de queda.

Análise do Euro/Dólar: movimento técnico sinaliza cautela
O par EURUSD apresentou um falso rompimento de seu suporte mais forte dentro de uma consolidação que já dura dois anos. Esse movimento técnico está alinhado ao comportamento do USDX, principal índice que mede a força do dólar americano, que também mostrou um falso rompimento recente.
Esse padrão pode indicar que o mercado encontrou um fundo tanto na tendência primária quanto na secundária. Contudo, é importante observar o nível de resistência em $1,06, que representa o último topo relevante do par. Esse ponto deverá ser testado antes que uma nova tendência mais clara seja definida.

Artigo por Marcos Praça, Analista ZERO Markets
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